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16 de fev. de 2026

O cálculo do tempo ativa o Círculo dos Dias.


Como costuma fazer na maioria de seus romances históricos, o competentíssimo galês Ken Follett escreve o Círculo dos Dias como se estivesse vivido no tempo do contexto do enredo. Neste caso, em plena época da Stone Age, há 2500 anos AEC, período pré-histórico crucial na evolução humana, conhecido por ser a era em que os primeiros sapiens desenvolveram ferramentas de pedra.

E sua leitura, leva-nos a acreditar que estamos vivenciando o famoso Stonehenge, na Planície de Salisbury, Wiltshire, na Inglaterra, um dos monumentos megalíticos mais sofisticados, misteriosos e famosos do mundo antigo.

Follett coloca-nos, como sempre, no meio de inúmeros personagens marcantes e cativantes, e diante de – queiramos ou não – diversos protagonistas, numa revolucionária forma literária de construção de personagens, situações e épocas. Ponto marcante em seus romances históricos, a ficção envolve fatos científicos  e lendários numa demonstração evidente de profunda pesquisa para elaborar sua obra.

A forma de contagem ou controle de tempo e quantidade dos povos daquela época são fatos marcantes no livro, evidenciando quanto de impossível se torna acreditar que a civilização desenvolveu-se sem contar até que os babilônios, egípcios, hindús ou os árabes criassem sistemas numéricos. Aqui, através de sacerdotisas e do sistema solar assimila-se os princípios para a formação do calendário, como também para caçar, plantar, curtir couro, transportar grandes volumes, marcenaria e ferramentaria, por exemplo, claro, tudo de uma forma rudimentar, mas bastante correta para aqueles tempos.

Esta é certamente a obra mais simples de Follett. Sem grandes pretensões e sem aprofundar-se muito no contexto, conta-nos ficcionalmente o que poderia ter sido a história da origem e criação do Stonehenge: um círculo de pedras que provavel e possivelmente  representa um calendário, baseado na duração dos movimentos do Sol e da Lua.

Para tanto, define-se por reportar tribos que, segundo suas pesquisas, teriam habitado a região à época. O convívio entre tribos de criadores de gado, plantadores, caçadores, mineradores e inúteis é apresentado de forma bastante real, assim como seus costumes sociais, de trabalho e religiosos.

Como tradicionalmente o faz em seus trabalhos, o autor envolve-nos afetivamente em alguns personagens e situações, suas qualidades e mazelas, suas lutas e desafios, seus amores e aventuras. O trabalho artesanal e o sexo, predominantemente livre, são algo em destaque nas sociedades por ele desenvolvidas.

Apesar de ser  uma história arrebatadora sobre como sonhos grandiosos podem transformar vidas e destinos, a obra apresenta-se um pouco decepcionante pelo fato de, repentinamente, encontrar soluções fáceis para questões que se apresentavam difíceis. Na realidade, Follett priorizou destacar os possíveis costumes das tribos à época do que apresentar maiores detalhes da construção do monumento, fato que tornaria maçante a sua narrativa.

Este é, certamente, um livro que deixa a desejar em se tratando da grandiosidade do autor. Fraco literariamente, não me deixou a impressão de estar lendo um Ken Follett.

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Valdemir Martins

05.12.2025

Fotos: 1. Capa do livro; 2. Localização na Inglaterra; 3. Ferramentas feitas com sílex; 4. Plantadores da época; 5. O Sol nascendo no Círculo dos Dias; 6. O autor em visita ao Stonehenge; 7. O autor Ken Follett.