Como costuma fazer na maioria de seus
romances históricos, o competentíssimo galês Ken Follett escreve o Círculo dos Dias como se estivesse
vivido no tempo do contexto do enredo. Neste caso, em plena época da Stone Age, há 2500 anos AEC, período
pré-histórico crucial na evolução humana, conhecido por ser a era em que os
primeiros sapiens desenvolveram
ferramentas de pedra.
E sua leitura, leva-nos a acreditar
que estamos vivenciando o famoso Stonehenge,
na Planície de Salisbury, Wiltshire, na Inglaterra,
um dos monumentos megalíticos mais sofisticados, misteriosos e famosos do mundo
antigo.
Follett
coloca-nos, como sempre, no meio de inúmeros personagens marcantes e cativantes,
e diante de – queiramos ou não – diversos protagonistas, numa revolucionária
forma literária de construção de personagens, situações e épocas. Ponto
marcante em seus romances históricos, a ficção envolve fatos científicos e lendários numa demonstração evidente de
profunda pesquisa para elaborar sua obra.
A forma de contagem ou controle
de tempo e quantidade dos povos daquela época são fatos marcantes no livro,
evidenciando quanto de impossível se torna acreditar que a civilização desenvolveu-se
sem contar até que os babilônios, egípcios, hindús ou os árabes criassem
sistemas numéricos. Aqui, através de sacerdotisas e do sistema solar assimila-se
os princípios para a formação do calendário, como também para caçar, plantar, curtir
couro, transportar grandes volumes, marcenaria e ferramentaria, por exemplo,
claro, tudo de uma forma rudimentar, mas bastante correta para aqueles tempos.
Esta é certamente a obra mais
simples de Follett. Sem grandes pretensões e sem aprofundar-se muito no contexto,
conta-nos ficcionalmente o que poderia ter sido a história da origem e criação
do Stonehenge: um círculo de pedras que provavel e
possivelmente representa um calendário,
baseado na duração dos movimentos do Sol e da Lua.
Para
tanto, define-se por reportar tribos que, segundo suas pesquisas, teriam
habitado a região à época. O convívio entre tribos de criadores de gado,
plantadores, caçadores, mineradores e inúteis é apresentado de forma bastante
real, assim como seus costumes sociais, de trabalho e religiosos.
Como tradicionalmente o faz em
seus trabalhos, o autor envolve-nos afetivamente em alguns personagens e
situações, suas qualidades e mazelas, suas lutas e desafios, seus amores e
aventuras. O trabalho artesanal e o sexo, predominantemente livre, são algo em
destaque nas sociedades por ele desenvolvidas.
Apesar de ser uma história arrebatadora sobre como sonhos
grandiosos podem transformar vidas e destinos, a obra apresenta-se um pouco
decepcionante pelo fato de, repentinamente, encontrar soluções fáceis para questões que se
apresentavam difíceis. Na realidade, Follett priorizou destacar os possíveis
costumes das tribos à época do que apresentar maiores detalhes da construção do
monumento, fato que tornaria maçante a sua narrativa.
Este é, certamente, um livro que
deixa a desejar em se tratando da grandiosidade do autor. Fraco literariamente,
não me deixou a impressão de estar lendo um Ken Follett.
Se gostou do comentário sobre este livro, basta clicar em "Seguir" no lado superior direito desta página (abaixo das fotos dos "Seguidores") e você receberá os novos comentários sobre outros livros gratuitamente, sem compromisso.
Valdemir Martins
05.12.2025
Fotos: 1. Capa do livro; 2. Localização na Inglaterra; 3. Ferramentas feitas com sílex; 4. Plantadores da época; 5. O Sol nascendo no Círculo dos Dias; 6. O autor em visita ao Stonehenge; 7. O autor Ken Follett.